Sexta-feira, 2 de Março de 2007

Insucesso escolar. A popularidade dos alunos influencia o seu sucesso escolar?

As causas do insucesso escolar são difíceis de explicar. Estar em situação de insucesso escolar implica uma multiplicidade de e uma enorme variedade de causas cuja localização pode centrar-se ao nível do aluno e do seu ambiente restrito, ao nível da sociedade à qual pertence e ao nível da própria escola e do sistema educativo. Desta forma, é importante compreender que o insucesso escolar não é uma fatalidade e que as crianças não estão destinadas a serem boas ou más alunas, tudo depende do funcionamento da escola e da sua interacção com o meio social e as características da própria criança. Assim, no estudo do insucesso escolar, é preciso ter em conta três realidades: o aluno, o meio social e a instituição escolar (Benavente, 1976), sendo na relação entre elas que se deve procurar e evidenciar os factores de insucesso e as suas causas explicativas.

O sucesso e o insucesso escolares são determinados por razões sociais em que a família, o meio e o estrato sócio-cultural estão na sua origem.

Relativamente à popularidade, no início da puberdade e da adolescência, os jovens deparam-se com novas situações e interesses estando estes relacionados com grupo social do adolescente.

São, por esse motivo, sempre considerados como forças de interesses sociais.
          Na escola, o adolescente sente novas responsabilidades e recebe novos direitos (English e Pearson), desenvolve relações diferentes com os colegas e professores e, em função delas, com o lar e a comunidade.
         O aluno sente-se como nova força da comunidade e procura desempenhar o seu papel à altura dessas obrigações recentemente adquiridas.
          Na procura de uma identificação com os colegas o jovem sente-se inteiramente diferente deles. Aspira igualar-se aos professores e é assaltado por dúvidas e angústias referentes às possibilidades de êxito ou insucesso escolar. Acima de tudo necessita, provar a si mesmo e aos outros sua originalidade, valor próprio, capacidade e habilidade para vencer.

De modo a satisfazer a sua necessidade psicológica primordial, isto é, a de se destacar, de impor a própria personalidade e reafirmar a individualidade, o adolescente esforça-se, estuda, desenvolve determinado assunto, brilha em certas matérias e aplica-se em desporto, para que possa ser respeitado pelos colegas e ser o número um em alguma coisa.

Segundo Thom, as principais causas do insucesso escolar dos adolescentes são:
1. preparação deficiente nos anos escolares antecedentes;
2. precipitação dos pais em fazerem as crianças entrar na escola primária com menos idade e, portanto, não poder enfrentar o ensino do 1º ciclo com eficiência;
3. moléstias ou defeitos físicos, obrigando a criança a faltar a muitas aulas;
4. transferências repetidas de escola a escola, por motivo de viagem, profissão dos pais (militares, diplomatas, jornalistas, etc.) ou mudança de residência;
5. incapacidade de concentração no trabalho escolar, causada por excesso de actividades extracurriculares, que roubam o tempo necessário ao exercício dos deveres escolares;
6. ocupação ou interesse com outros assuntos, como atletismo, teatro, ou mesmo namoro;
7. falta de interesse nos assuntos escolares, por não haver motivação. O adolescente, ao invés de estudar, lê ou trabalha em outros sectores que não trazem benefícios à progressão escolar;
8. problemas emocionais: sentimentos de que os trabalhos escolares são bastante complexos; insistência neurótica de pais que procuram dessa forma compensar sua própria insuficiência escolar; pais excessivamente ambiciosos ou perfeccionistas;
9. em certos casos, o jovem pode estabelecer para si mesmo objectivos tão elevados e difíceis que se torna impossível, no momento, realizá-los. Isso irá produzir sentimentos de frustração e insuficiência, que determinarão mau aproveitamento escolar;
10. há jovens que, embora não apresentem um atraso mental, têm, contudo, uma inteligência menos aguda e que não lhes permite absorver as matérias das aulas, ao lado de outros adolescentes. Essas crianças permanecem na escola a pedido ou ameaça dos pais e, geralmente, sentem-se infelizes, deprimidas, envergonhadas, acontecendo por vezes tentativas de suicídio.
11. A indiferença ou ignorância dos pais quanto à tendência vocacional dos filhos, por exemplo, um aluno que estuda numa área cientifica quando a sua apetência se encontra na área musical;
12. a preocupação com a situação económica da família pode prejudicar o bom aproveitamento escolar. O jovem sente-se como uma carga no orçamento de casa, procurando com isso trabalhar nas horas vagas, dedicando, portanto, menos tempo ao estudo;
13. a falta de popularidade entre os colegas pode atormentar de tal forma o jovem, a ponto de perturbar-lhe os estudos. O adolescente que não se considera aceite e estimado pelos colegas (seja pela cor, credo religioso ou político, ou por discriminação racial) sente que a posição na escola não oferece estímulo ou segurança para seu desenvolvimento intelectual necessário. Esta situação pode conduzir a distúrbios emocionais graves, inclusive a recusa terminante de voltar à escola. Em outros casos, no entanto, essa impopularidade estimula intensamente o jovem a brilhar nos estudos, sobressaindo-se dessa forma perante os colegas.

A escola é considerada um pequeno sistema social em que as crianças e adolescentes aprendem regras de moralidade, convenções sociais, atitudes e modalidades de modo a estabelecer relações com os outros, proporcionando muitas vezes a rede principal de grupos de companheiros, na qual expandem os seus horizontes sociais e experimentam sentimentos diferentes. Os jovens mostram mais empatia por pessoas que lhe são semelhantes e de mesma faixa etária, do que por aquelas que não são.

Depois da família, a escola é a instituição que irá introduzir a criança/adolescente no mundo social e este pode ser acolhedor e voltado para o diálogo ou tremendamente segregador e excludente.

As acções dos professores devem caminhar ao encontro das necessidades dos alunos, necessidades estas relacionadas ao seu desenvolvimento não somente cognitivo, mas afectivo, social e motor. Portanto, estar atento ao que realmente ocorre com o aluno na sala e actuar em prol de uma melhor interacção é papel fundamental do educador.

As inúmeras experiências de fracasso podem levar o aluno a formar uma imagem negativa de si mesmo, a ter medo do desafio, a desinteressar-se pelas actividades escolares entre outros aspectos indesejáveis. Diante deste quadro, suas relações com os colegas podem vir a ser prejudicadas, acentuando-se ainda mais o problema.

Logo, se a escola mantiver uma postura selectiva, com ênfase somente no rendimento académico pode influenciar e reforçar a inadaptação do aluno, culminando muitas vezes, mais tarde, no atraso mental, na delinquência ou em sociopatias múltiplas. (FONSECA, 1995).

 Sobre isso importa ressaltar que pesquisas recentes apontam que um grande número de adolescentes e adultos envolvidos na criminalidade ou até mesmo no uso de drogas tiveram uma história escolar complicada caracterizada por dificuldades na escola primária, auto conceito negativo, exclusão social entre outros (TOPCZEWISKI, 2003).

Na sociedade corrente convivemos com a intolerância e as guerras ocupam um lugar de destaque na televisão. Ora, como a sociedade da diversidade começa na escola, uma segregação que tem o seu início nos bancos da escola, tão cedo, é muito perigosa.

Assim, é indispensável aprender a aprender juntos, numa sociedade em que todos devem ver-se como diferentes e singulares e não somente ver o outro como diferente.

 A educação e a escola devem ser espaço para emoção e convivência. No espaço escolar deve predominar o diálogo, o afecto, a valorização dos sentimentos de outrem. É peremptória a aceitação e repelo da rejeição mediante uma participação activa e agradável na sala de aula, compreendendo e ensinando os alunos a ter uma atitude mais flexível e cooperativa em relação aos outros, valorizando as capacidades de cada um.

Para tal é necessário que os professores encontrem meios para transmitir aos seus alunos os fundamentos do ensino democrático, o reconhecimento do colega na sua diferença, soluções fundamentais para uma vida em sociedade.

 

 

 

 

 

 

 

sinto-me:
publicado por danii às 18:04
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7 comentários:
De SAM a 30 de Junho de 2007 às 00:26
Linkei o blog, na esperança de que consiga ser actualizado.
De Anónimo a 29 de Outubro de 2008 às 19:41
eu sou uma aluna de psicologia e tenho que fazer um trabalho sobre as causas do insucesso escolar e gostaria de saber se na sua opiniao as causas apresentadas no site nao as unicas ou a maioria?
De Anónimo a 19 de Novembro de 2008 às 21:10
e possivel q ajam muitas mais!!!!!!!!!
De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2009 às 15:34
Comungo plenamente da abordagem apresentada, pelo que na qualidade de presidente de uma APEE (Eiriz-Paços de Ferreira) gostaria de discutir sobre a viabilidade de uma acção de sensibilização a levar junto dos pais e encarregados de educação sobre esta temática, focando estratégias objectivas que os possam ajudar a (melhor) apoiar os seus filhos/educandos não só na integração escolar como na obtenção do sucesso escolar.
Cumprimentos
José Andrade
De sofas a 5 de Março de 2011 às 17:12
Concordo, mas acho que ainda há muito trabalho a fazer...
De FSA a 25 de Setembro de 2011 às 21:22
Valeu me ajudou muito nesse trabalho que eu to fazendo abraços!
De http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/ a 14 de Março de 2012 às 13:12
Segundo Thom ......
o que ele é???
qual é o nome dele??

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