Terça-feira, 10 de Julho de 2007

“A criança que não queria falar”

Há dias encontrei um livro que me chamou a atenção   pelo seu título

A criança que não queria falar”, e comprei-o. Ao ler o prólogo fiquei rendida por ser uma historia verídica sobre uma criança de seis anos de idade, abandonada pela mãe, e que “até então apenas  conheceu um mundo onde foi severamente maltratada e abusada”.  

         A autora, Torey Hayden (com formação no âmbito das aéreas de Psicologia e Educação) fala-nos do seu trabalho com crianças com dificuldades mentais e emocionais. De modo a aguçar a curiosidade dos leitores, resolvi transcrever algumas passagens, do mesmo. (…)

"Interrogam-me muitas vezes sobre o meu trabalho. Talvez a pergunta mais comum seja: Não é frustrante?

 

"Não é frustrante?", perguntam os alunos universitários, "conviver diariamente com violência, pobreza, droga e alcoolismo, abuso sexual e físico, negligência e apatia?" "Não é frustrante?", pergunta o vulgar professor primário "trabalhar tanto e receber tão pouco em troca?" "Não é frustrante?", perguntam todos, "saber que o maior sucesso obtido será provavelmente uma aproximação da normalidade; saber que estas crianças tão pequenas foram condenadas a viver uma vida que, pelos nossos padrões, nunca será produtiva, responsável ou normal? Não é frustrante?"
         Não. Na verdade, não é. Trata-se simplesmente de crianças, por vezes frustrantes, como todas as crianças o são. Mas elas também são de uma extrema ternura e de uma incrível percepção. Só a loucura parece permitir que seja dita toda a verdade. Contudo, estas crianças são ainda mais do que isso, são corajosas. (…)
        Algumas destas crianças vivem com pesadelos tão medonhos nas suas cabeças, que cada movimento fica imbuído de um terror desconhecido. Algumas vivem debaixo de uma violência e perversidade impossível de expressar por palavras. Algumas vivem sem a dignidade concedida aos animais. Algumas vivem sem amor. Algumas vivem sem esperança. No entanto, aguentam. E, na sua maioria, aceitam, por desconhecerem outro tipo de atitude.
        Este livro conta a história de uma só dessas crianças. Não foi escrito para despertar piedade. Nem para elogiar o trabalho de uma professora. Nem tão pouco para deprimir aqueles que encontraram a paz na ignorância. Trata-se, em vez disso, de uma resposta à pergunta sobre a frustração inerente ao trabalho psiquiátrico. É um cântico à alma humana, porque esta menina é como todas as minhas crianças. Como todos nós. É uma sobrevivente.”

(Hayden, T., A criança que não queria falar)

 

 

sinto-me:
publicado por danii às 22:03
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1 comentário:
De flor_d_lotus a 17 de Setembro de 2007 às 15:30
Tal como tu, também eu me interesso profundamente pela questão das crianças abusadas e mal tratadas. Embora nao trabalhe nessa área, o que seria um sonho realizado pra mim, no CNO convivo diariamente com histórias de vida de adultos (no processo de balanço de competÊncias) que referem a sua infância como a fase mais infeliz da sua vida. Negligência,violência, solidão e até fome´são adjectivos que descrevem na perfeição os primeiros anos de vida destes jovens. Sem se darem conta, lutaram sozinhos porque nunca tiveram qualquer tipo de apoio psicológico! Felizes das crianças que têm quem os escute e os ajude. Já que não podemos evitar que haja crianças tão mal amadas, tentemos pelo menos que tenham apoio, e alguém que lhes mostre o caminho da luz! Não posso deixar de referir o quanto eu fui feliz na minha infância, e nenhuma criança devia ser menos do que muito feliz! É preciso ser forte e ter muito para dar, para lidar diariamente com vítimas! Para ti querida, força em cada jornada, sucesso em cada caso!

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