Quinta-feira, 7 de Setembro de 2006

A Violência Doméstica: Como prevenir?

Quando se fala de violência doméstica há a tendência de considerar que esta problemática especifica somente violência contra as mulheres, no entanto é necessário desmistificar esta noção, pois quando se fala de violência doméstica deve-se ter presente que significa «qualquer acto, conduta ou omissão que sirva para infligir, reiteradamente e com intensidade, sofrimentos físicos, sexuais, mentais ou económicos de modo directo ou indirecto a qualquer pessoa que habite no mesmo agregada doméstico privado, ou que não habitando, no mesmo agregado que o agente da violência, seja cônjuge ou ex-cônjuge, ou companheiro marital ou ex-companheiro marital».

Logo, crianças, jovens, mulheres adultas, homens adultos, ou idosos a viver em alojamento comum podem ser vítimas de violência doméstica, não reduzindo o termo a violência contra as mulheres.

 A violência doméstica caracteriza-se por:

- Ocorrer em contextos de intimidade e interacção familiar,

            - Pela diversidade de formas de violência e de estratégias abusivas visando controle e o poder,

            - Pela recorrência cíclica associada a uma escalada de frequência e gravidade,

            - Ser polarizada em termos de género. 

Com frequência ouvimos falar de casos de violência entre o casal, a violência conjugal, em que a maioria das vítimas são mulheres.

Os maus-tratos à mulher podem ser físicos, de isolamento social, de intimidação, maus-tratos emocionais, verbais e psicológicos, recurso ao privilégio masculino, ameaças, controlo económico e mesmo violência sexual, terminando por fim, e com frequência no homicídio.

Aliás, segundo os dados do observatório de mulheres assassinadas, em 2005 foram noticiados 33 homicídios de mulheres na imprensa nacional (29 atribuíveis a companheiros, ex-namorados ou parceiros e 4 por outros familiares).

 

O que fazer em matéria de prevenção?

Os esforços neste sentido são essencialmente remediativos, no entanto ao nível da prevenção primária e secundária e tendo em conta a complexidade da vitimação conjugal, é imprescindível accionar programas de sensibilização nas escolas, de modo a influenciar a incidência do problema nas gerações seguintes, incentivar debates na comunicação social de forma a afectar o adormecimento de consciências, assim como introduzir alterações nas linguagens sociais associadas ao fenómeno da violência conjugal, ou seja é necessário que haja uma representação do casamento e do papel do homem e da mulher neste, pois, de acordo com a abordagem sócio-cultural, a noção de família actual deve ser repensada. Uma vez que as famílias transmitem desigualdades sexuais, o objectivo da prevenção deve ser o de reconceptualizar o lugar da mulher na família e na sociedade, deixando de ser considerada inferior ao sexo masculino.  

Bibliografia:  Gonçalves R.A., Machado C. (2002). Violência e vítimas de crime. Coimbra: Quarteto

sinto-me:
publicado por danii às 22:06
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